segunda-feira, 18 de março de 2013

Natais


Natais


Ela acordou amuada, triste...
A casa estava toda enfeitada para o Natal.
Sob a árvore, muitos presentes coloridos e de vários tamanhos.
Toda vez que ela olhava para aquilo, batia uma de horror!
Passou o dia todo assim...
À noite, a casa foi ficando cheia de parentes e amigos, todos alegres e felizes, uma festa!
Ela, de baixo astral...
Veio o amigo secreto. A meninada explodia em gritaria a cada presente aberto.
Ela, pinel!
Foi quando sua netinha, sentada no seu colo, abriu aquela caixa de presente, que sua ficha caiu!
Se viu menininha abrindo uma caixa igualzinha, ansiosa pela boneca que havia pedido ao Papai Noel...
Abiu apressada e, lá dentro, tinha um lindo vestidinho branco de rendinha. Pô!
Nem aquele, nem nenhum outro Natal, jamais foram alegres e felizes.
Cinquenta e sete anos sem sua Barbie Rapunzel.





segunda-feira, 11 de março de 2013

O Papa renunciou por falta de hábito




O Papa renunciou pela falta de hábito de alguns padres, religiosos e religiosas, o que vinha e vem provocado muito sofrimento (ou prazer) a jovens católicos.
Descobriu-se também que alguns bispos, por solidariedade, tem acobertado a falta do uso de hábitos dos seus prelados (não seria sem o r?). 
Dizem até que alguns cardeais andam cantando e muito por aí, e não tomam providências porque alguns têm: penas, plumas e paetês. Ui, ui, ui! 
O que tem sido denunciado pela imprensa do mundo inteiro, é que alguns, de fato, nem perderam, ou nem abandonaram o hábito, apenas o arregaçaram, e mandaram ver! 
Outros nem usam mais hábitos, já os abandonaram há muito tempo, pois acham que sem ele tudo fica muito mais fácil.
Não só padres, religiosos e religiosas têm abandonado os bons e tradicionais hábitos; alguns leigos nunca o usaram, nem nunca deram muito valor, por considerá-los velhos, ultrapassados e fora de moda.
E são estes leigos, desde o último concílio, que têm lutado e buscado ocupar mais espaço para o poder (não seria f?) dentro da Igreja.
Alguns já estão tão infiltrados e poderosos, que já vêm ampliando as atividades da Igreja e fazendo serviços especiais como: lavagem (de dinheiro), limpeza de banco (do dinheiro), engomagem e branqueamento de colarinhos, criação e tratamento de corvos mensageiros,  embaçamento de vidraças (para não deixar nada transparente), assessoria na manipulação de arquivos, processamento de dados do vatileaks, etc, etc...
O fato é que na clave de dó, de sol ou de fá, o mundo católico espera um Papa para colocar, em harmonia e com inspiração, hábitos novos em todos os cardeais, bispos, religiosos e religiosas, e quem sabe se não seria conveniente, fazê-los já conclave e tudo! 
Agora se elegerem para Papa um brasileiro, aí então tudo terminará em pizza, ainda mais na Itália (na torre ou sacristia).
SNAP neles!

Barnabé


Barnabé


Ele levantava todas as manhãs às sete.
Às oito e meia, já estava trabalhando.
Saía tarde. Chegava às dez. Vida inteira assim.
Mas amanhã ele não voltará mais à repartição.
Sua aposentadoria saiu.
O chefe lhe entregou o aviso. Agradeceu a dedicação.
Fez-se fila de colegas para lhe desejarem felicidades...
Chegou em casa as dez e se matou!
No dia seguinte estavam todos na fila do velório.
Até o chefe.

Palavras


Palavras


Palavras podem ser ditas.
Benditas,
Malditas,
Pois ditas...

Palavras ouvidas:
Ferem,
Emocionam,
Consolam.
São finitas...

Como flores: 
embelezam, 
mas não duram.
Como espinhos: 
ferem mais, 
quando secos.

Posso, entretanto, decidir,
Pois dos sentimentos,
Bons e maus,
A lembrança,
Só fica 
a que eu permitir.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Torcedor


Torcedor


Levantou cedo naquele dia e vestiu a camisa do clube do coração.
O plano era ir para o Mineirão logo após o expediente.
Trabalhou o dia inteiro ouvindo piadinhas dos torcedores do outro clube da cidade.
Era a última oportunidade do seu time se manter na disputa do título.
Aguentou firme. Escutou cada gracinha e engoliu seco. Não respondeu. Sorria amarelo...
À noite, chegou ao estádio após suportar o empurra-empurra de um ônibus lotado.
Estava tenso, mas passou por tudo aquilo calado.
Pediu um tropeiro e um refrigerante no bar.
Na primeira garfada, achou que estava meio azedo, mas a fome era tanta, que engoliu assim mesmo.
A arquibancada estava lotada.
Passou o primeiro tempo sentido enjoo. No intervalo vomitou tudo. Aliviou!
O Jogo não. Tava zero a zero!
E tome-lhe grito de guerra: "- Juiz Ladrão! - Técnico Burro! - Fora Perna de Pau! - #$@&#!"
E isso era tudo o que ele, e a torcida, podiam fazer...
Nada adiantou. O jogo acabou zero a zero. Desclassificado!
Ele estava exausto. Roxo de ódio. O mundo inteiro havia desabado, sobre ele, naquele momento.
Na saída do estádio, o pau quebrou!
Ele aproveitou para despejar toda a mágoa acumulada. Toda a tensão que acumulou o dia todo.
No dia seguinte a televisão mostrou a multidão enfurecida, lá no meio, em destaque, estava ele de pedaço de pau na mão, distribuindo porrada!
Foi identificado pela polícia e preso.
Por um bom tempo não poderá mais assistir os jogos do seu time.
Nem vale a pena mesmo!

Botequim do Totonho


Botequim do Totonho


Ele preparava um bife de fígado com jiló frito tão delicioso, que justificava a quantidade de fregueses a cada final de tarde.
Era daqueles botequins de uma porta só; o pessoal se arranjava pela calçada, improvisando mesas e acentos com caixas de cerveja e de refrigerantes; o meio fio era disputado palmo a palmo.
Anotava o consumo da moçada numa precária cadernetinha; quando devedor pagava, ele simplesmente rabiscava a anotação: tava quitado! Dizem que cano ali era raro e quando acontecia, era por um motivo muito justo e o Seu Totonho perdoava de coração.
Num carnaval de um ano passado qualquer apareceu um carioca cheio de xis, muito gingado malandro, um cara muito simpático, que acabou por ganhar a confiança da galera, que ralava os bicos com suas estórias e aventuras passadas na calçada de Copacabana.
Bebeu e comeu durante os quatro dias de folia. Seu Totonho anotou tudo na cadernetinha, como era do seu feitio.
Na quarta feira de cinzas o carioca não aparecera nem para beber, nem para comer o bife de fígado, nem para contar suas estórias, nem para pagar a conta. Sumira, escafedera.
Por uma semana foi procurado até pela polícia, na dúvida de haver acontecido algum fato desagradável. Mas nada.
Souberam que dormia na casa de uma tia. Mas ninguém sabia quem, nem onde. Chegaram a dizer que o cara era uma assombração. Coisas do interior de Minas...
De qualquer forma, era o primeiro e irremediável cano do Seu Totonho.
No ano seguinte voltou o alegre e sorridente carioca para o carnaval, para a cervejinha, para o bife de fígado com jiló.
A simpatia, o xis e o gingado malandro haviam sido multiplicado por três. Trouxera alguns amigos para provarem o mais delicioso bife de fígado com jiló frito que ele havia comido na face da terra. Adoraram!
Comeram e beberam os quatro dias de folia. Seu Totonho anotou tudo na cadernetinha, como era do seu feitio.
Na quarta feira de cinzas os cariocas chegaram cedo à rodoviária compraram as passagens para Belo Horizonte e foram surpreendidos ao se verem rodeados por um bando de caras conhecidas, com as quais haviam convivido naqueles inesquecíveis dias de carnaval.
Seu Totonho nem estava lá. Quem estava lá: a tia do malandro, dois policiais e se não me engano, todos os fregueses do botequim. Uma multidão!
Um dos fregueses tomou a palavra e explicou, mineiramente, que aquele era o comitê de despedidas aos cariocas mais simpáticos e amáveis que haviam conhecido, e os mais engraçados também. Estavam todos ali em nome do Seu Totonho, que era um comerciante muito querido da cidade, o qual, para continuar fazendo o mais delicioso bife de fígado com jiló frito da face da terra, precisava manter o seu capital de giro integral. Senão como ele iria comprar: cerveja, fígado e jiló?
Haviam trazido a cadernetinha do estabelecimento e totalizaram a conta dos malandros. Eles tinham duas opções, pagariam tudo, inclusive os juros da conta do ano passado, ou passariam uma temporada dormindo no xadrez e prestando serviços voluntários à comunidade durante o dia.
Pagaram a conta e jamais voltaram para comer o mais delicioso bife de fígado com jiló da face da terra.     

Protagonista


O Protagonista 

- Bom dia!
- Bom dia!
- Quais são os seus planos para hoje?
- Não pensei em nada ainda.
- Pense logo senão esta estória não terá sequência.
- Por que eu é que tenho que ser o protagonista?
- Alguém tem que ser.
- Por que não você?
- Sou o narrador da estória.
- Então como somos apenas nós dois no elenco, sobrou para mim?!
- Não é a primeira vez...
- Eu sei.
- Vamos lá rapaz! Anime-se.
- Está bem. Hoje vamos ao cinema.
- Boa! Qual o filme?
- Lula o filho do Brasil.
- Tinha que ser logo este?
- Vamos aprender a ser protagonistas de uma estória com final vitorioso.
- Protagonista ou político?
- Esperto!

Trote


Trote


O celular tocou.
- Alô?
- Você está sendo seguido!
Voz rouca, grave...
- Eu? Quem é que ta falando?
- Fique calmo, mantenha-se discreto, sou seu amigo, só quero ajudar.
- Como que você quer que eu fique calmo? Quem é que  me seguindo? Por quê?
- Tem um taxi aí perto?
- Tem sim.
- Pegue ele e siga para sua casa. Não desligue e aguarde outras instruções...
Passados cerca de 5 minutos.
- Você  me ouvindo?
- Tô sim!
- Peça para o motorista que siga pelo túnel da Lagoinha.
- Mas eu moro no Betânia...
- Você não é o Dr. Praxedes não?
- #$@&!
Click!